Cerca de 300 mil idosos brasileiros têm algum grau de TEA, diz
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05/01/2026 09:59
Uma reveladora análise nacional, fundamentada nos dados do Censo Demográfico de 2022, aponta que aproximadamente 306.836 brasileiros com 60 anos ou mais convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa prevalência autodeclarada, que representa 0,86% da população idosa, lança luz sobre uma realidade muitas vezes invisível e subdiagnosticada no país. O TEA, uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios persistentes na comunicação e interação social, embora tipicamente identificado na infância, persiste ao longo da vida e apresenta desafios únicos na terceira idade. A descoberta ressalta a urgência de políticas públicas e uma maior conscientização sobre a condição em adultos mais velhos.
A prevalência oculta do TEA na terceira idade
Dados reveladores e disparidades de gênero
A recente pesquisa, baseada em dados oficiais do Censo Demográfico de 2022, trouxe à tona uma realidade significativa: quase 307 mil idosos brasileiros vivem com algum grau de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa parcela da população, que corresponde a 0,86% do total de pessoas com 60 anos ou mais, representa um contingente considerável que demanda atenção e estratégias de apoio específicas. Os números são um marco para o entendimento do TEA no Brasil, especialmente por abordar uma faixa etária historicamente pouco estudada.
A análise detalhada dos dados revelou ainda uma leve, mas notável, disparidade de gênero. Enquanto 0,94% dos homens idosos se autodeclararam no espectro autista, a taxa entre as mulheres na mesma faixa etária foi de 0,81%. Essa diferença, embora pequena, acompanha um padrão já observado em diagnósticos de TEA em outras faixas etárias, onde a condição tende a ser mais frequentemente identificada em indivíduos do sexo masculino. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum grau de TEA, reforçando a escala global do desafio e a importância de dados nacionais precisos. Embora o TEA seja uma condição do neurodesenvolvimento que se manifesta desde a infância, seus sinais e impactos persistem ao longo da vida, e seu reconhecimento em adultos mais velhos ainda é limitado, tanto em termos de diagnóstico quanto no acesso a terapias e suporte adequados.
Desafios e impactos do diagnóstico tardio
Barreiras no reconhecimento e saúde integral
A identificação do Transtorno do Espectro Autista em idosos é um processo complexo, repleto de barreiras que dificultam o reconhecimento precoce e a oferta de suporte necessário. Uma das principais dificuldades reside na sobreposição de sintomas. Manifestações do TEA, como o isolamento social, a inflexibilidade comportamental, o comportamento rígido e os interesses restritos, podem ser erroneamente interpretadas como características de outros transtornos ou como sintomas de condições comuns à terceira idade, como ansiedade, depressão ou até mesmo demência. A falta de profissionais de saúde devidamente capacitados para identificar o TEA em adultos e as próprias modificações nos critérios diagnósticos ao longo das décadas também contribuem para essa lacuna. Muitos idosos no espectro viveram em uma época onde o conhecimento sobre o TEA era incipiente ou inexistente, resultando em uma vida inteira sem um diagnóstico formal.
As consequências de viver no espectro sem um diagnóstico e suporte adequados são profundas. Especialistas destacam que pessoas que envelhecem com TEA tendem a apresentar uma redução na expectativa de vida. Além disso, há uma alta prevalência de comorbidades psiquiátricas, como transtornos de ansiedade e depressão, que podem ser exacerbadas pela falta de compreensão de suas próprias dificuldades e pela ausência de estratégias de enfrentamento. O risco de declínio cognitivo é maior, assim como a incidência de condições clínicas significativas, incluindo taxas mais elevadas de doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas. A dificuldade de comunicação, a sobrecarga sensorial e a rigidez comportamental, características do TEA, podem ainda dificultar o acesso e a adesão dessa população aos serviços de saúde, criando um ciclo de negligência e piora da qualidade de vida. Compreender a prevalência do TEA em idosos no Brasil é, portanto, o primeiro e crucial passo para identificar suas necessidades e embasar a criação de políticas públicas direcionadas.
O alívio do diagnóstico e a busca por aceitação
Apesar dos desafios inerentes ao diagnóstico tardio do TEA em idosos, a chegada de uma explicação formal para as dificuldades vivenciadas ao longo da vida é, para muitos, um momento de profundo alívio. Esse reconhecimento oferece uma nova perspectiva, uma lente através da qual anos de experiências interpessoais complexas e sensoriais intensas finalmente fazem sentido. É a validação de que suas particularidades não são falhas de caráter ou idiossincrasias inexplicáveis, mas sim parte de uma condição neurológica.
Esse “alívio do diagnóstico” pode ser um catalisador para uma maior autocompreensão e aceitação. Ao receberem o diagnóstico, muitos idosos relatam uma sensação de libertação, pois conseguem reinterpretar suas histórias de vida, seus relacionamentos e seus desafios sob uma nova luz. Isso abre caminho para a busca de estratégias de manejo mais eficazes, a participação em grupos de apoio e a construção de uma identidade mais sólida e consciente de sua neurodiversidade. Embora tardio, o diagnóstico permite que esses indivíduos compreendam melhor a si mesmos e que suas famílias e a sociedade os compreendam melhor, pavimentando o caminho para uma vida mais plena e com suporte adequado na terceira idade. É um passo crucial para promover a inclusão e o bem-estar de uma população que, por muito tempo, viveu à margem do reconhecimento.
Perguntas frequentes sobre TEA em idosos
Qual a prevalência de TEA em idosos no Brasil?
Uma análise baseada no Censo Demográfico de 2022 indicou que a prevalência autodeclarada de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre indivíduos com 60 anos ou mais é de 0,86%, correspondendo a aproximadamente 306.836 pessoas. A taxa é ligeiramente maior entre os homens (0,94%) em comparação com as mulheres (0,81%).
Por que o diagnóstico de TEA é mais difícil em pessoas idosas?
O diagnóstico é dificultado porque algumas manifestações do transtorno, como isolamento social, inflexibilidade e interesses restritos, podem ser confundidas com características de outros transtornos ou sintomas de ansiedade, depressão ou demência. A falta de profissionais capacitados para a identificação em adultos e as mudanças nos critérios diagnósticos ao longo do tempo também contribuem para essa dificuldade.
Quais são os impactos de um diagnóstico tardio de TEA na vida de um idoso?
O diagnóstico tardio pode levar a uma redução na expectativa de vida e a uma alta prevalência de comorbidades psiquiátricas (ansiedade, depressão), maior risco de declínio cognitivo e condições clínicas (doenças cardiovasculares, disfunções metabólicas). Dificuldades de comunicação, sobrecarga sensorial e rigidez comportamental também podem dificultar o acesso à saúde. No entanto, o diagnóstico, mesmo tardio, pode trazer alívio, autocompreensão e aceitação.
O que pode ser feito para melhorar o apoio a idosos com TEA?
É fundamental desenvolver estratégias para a identificação precoce do TEA em adultos, capacitar profissionais de saúde para o diagnóstico e o acompanhamento, e criar políticas públicas direcionadas. Melhorar o acesso a terapias e suporte adequados, além de promover a conscientização sobre as particularidades do TEA no envelhecimento, são passos cruciais para garantir a qualidade de vida dessa população.
Este estudo sublinha a necessidade premente de uma revisão nas políticas de saúde pública, visando a inclusão e o suporte adequado aos idosos com TEA. É imperativo que os sistemas de saúde se adaptem para oferecer diagnóstico, acompanhamento e terapias que considerem as especificidades dessa faixa etária. O reconhecimento da prevalência do TEA em idosos não é apenas uma questão de estatística, mas um chamado à ação para garantir dignidade, bem-estar e o direito a uma vida plena a essa parcela da população brasileira.
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