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Tarifas de ônibus metropolitanos da EMTU sobem 4,24% na Grande São Paulo

O reajuste médio de 4,24% nas tarifas de ônibus metropolitanos da EMTU entra em vigor no dia 6 de janeiro, afetando um vasto sistema que conecta a cidade de São Paulo a diversos municípios da região metropolitana. A decisão da Artesp foi formalizada por meio da Resolução nº 21, que detalha os novos valores para diferentes tipos de linhas e distâncias percorridas.

Tarifas de ônibus metropolitanos da EMTU sobem 4,24% na Grande São Paulo
Tarifas de ônibus metropolitanos da EMTU sobem 4,24% na Grande São Paulo (Foto: Reprodução)

A partir de 6 de janeiro, os usuários dos ônibus metropolitanos que interligam a capital paulista a diversas cidades da Região Metropolitana de São Paulo enfrentam um novo cenário tarifário. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), órgão vinculado ao governo estadual, autorizou o reajuste médio de 4,24% nas tarifas de ônibus metropolitanos da EMTU. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado em 30 de dezembro, impacta diretamente o bolso de milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte coletivo para seus deslocamentos. Enquanto o governo justifica o aumento, a população expressa insatisfação generalizada com a qualidade dos serviços prestados, que, segundo relatos, não correspondem aos novos valores cobrados. Este reajuste se soma a outros aumentos no transporte público na capital.

Aumento das tarifas da EMTU: detalhes e impacto

O reajuste médio de 4,24% nas tarifas de ônibus metropolitanos da EMTU entra em vigor no dia 6 de janeiro, afetando um vasto sistema que conecta a cidade de São Paulo a diversos municípios da região metropolitana. A decisão da Artesp foi formalizada por meio da Resolução nº 21, que detalha os novos valores para diferentes tipos de linhas e distâncias percorridas.

Para muitos passageiros, o impacto no orçamento será imediato e significativo. Por exemplo, na linha 297, que realiza o trajeto entre São Paulo e Caucaia do Alto, em Cotia, a tarifa saltará de R$ 9,20 para R$ 9,65. Já na linha 422, que atende o percurso até Itapevi, o custo da passagem passará a ser de R$ 8,90. Estes são apenas alguns exemplos que ilustram a abrangência do aumento, que incide sobre milhares de rotas e milhões de passageiros diariamente.

Novos valores e rotas afetadas

Os novos valores variam consideravelmente dependendo do tipo de linha e da extensão do trajeto. As linhas comuns, que representam a maior parte do serviço, terão tarifas que podem variar de R$ 4,15 a R$ 12. As linhas seletivas, que oferecem um serviço diferenciado com maior conforto, apresentarão preços entre R$ 9 e R$ 30,65. Por fim, as linhas especiais, como aquelas que conectam Osasco e Cotia à capital, terão seus valores ajustados para uma faixa de R$ 7,70 a R$ 8,75.

É importante ressaltar que este reajuste nas tarifas da EMTU ocorre em um contexto de aumentos mais amplos no transporte público na Grande São Paulo. Paralelamente, as passagens de metrô e trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também sofrerão um aumento, passando de R$ 5,20 para R$ 5,40. Da mesma forma, a tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, gerida pela SPTrans, será ajustada de R$ 5,00 para R$ 5,30. Essa simultaneidade nos reajustes gera um peso adicional para os usuários que utilizam múltiplas modalidades de transporte diariamente, intensificando as discussões sobre a acessibilidade e a qualidade dos serviços oferecidos.

A voz dos passageiros: insatisfação e desafios diários

O anúncio do reajuste nas tarifas da EMTU foi recebido com descontentamento por grande parte dos passageiros. A principal queixa não se limita apenas ao aumento em si, mas à percepção de que o valor cobrado não condiz com a qualidade e as condições do serviço oferecido. Muitos usuários relatam uma rotina de desafios, marcada por longas esperas, superlotação e uma frota de ônibus em estado precário.

A cozinheira Valquíria Leite expressou sua frustração: “É um absurdo pagar uma passagem no valor que a gente paga para vir numa situação dessas”. Sentimento semelhante foi manifestado pela coordenadora de RH Eliana Fernandes, que lamentou o timing do aumento. “Vai aumentar terça-feira… Pois é, né? Bem-vindo, ano novo, feliz ano novo. Tem que ser com aumento, se não, não vale, né?”, ironizou, refletindo a desilusão de iniciar o ano com mais despesas.

Qualidade do serviço versus custo elevado

As reclamações se estendem a diversos aspectos da operação diária. O oficial de manutenção Marco Antônio da Silva, morador de Caucaia do Alto, destacou a dificuldade de acesso e a escassez de veículos na sua linha. “Esse aqui é uma das passagens mais pesadas que tem. É difícil acesso para a gente que mora em Caucaia e são poucas unidades”, afirmou. A diarista Jane Guimarães corroborou o cenário de ineficiência: “O ônibus vem muito cheio e demora para passar. O intervalo é muito grande e o valor também é muito alto”.

A superlotação é um ponto crítico, especialmente em horários de pico, transformando as viagens em experiências desconfortáveis e, por vezes, perigosas. A encarregada de limpeza Jéssica Camila dos Santos resumiu a expectativa de muitos: “Se for aumentar, tem que melhorar os ônibus. Tem muito ônibus quebrado, precário. Não é só aumentar”. A percepção geral entre os usuários é que o aumento tarifário deveria ser acompanhado por melhorias tangíveis na frota e na frequência dos serviços, o que, segundo eles, não se verifica na prática.

O sistema em xeque: frota e contratos emergenciais

A insatisfação dos passageiros e o debate sobre o reajuste tarifário vêm à tona em um momento em que a estrutura do transporte metropolitano gerenciado pela EMTU é questionada. Dados recentes revelam uma frota envelhecida e com pouca adesão a tecnologias mais sustentáveis, o que contribui para a percepção de um serviço defasado. Além disso, a gestão do sistema tem sido marcada por contratos emergenciais prolongados, indicando problemas estruturais que vão além da mera precificação das passagens.

Informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação detalham a situação da frota de ônibus metropolitanos que servem as cidades da Grande São Paulo. Dos 3.632 veículos em operação, um número significativo – 1.399 – não possui ar-condicionado, um item de conforto considerado essencial por muitos usuários, especialmente em um clima como o de São Paulo. Outro dado alarmante é que 888 ônibus têm mais de 10 anos de uso, o que levanta preocupações sobre a segurança, a manutenção e a frequência de panes. A adesão a soluções mais ecológicas também é lenta, com apenas 100 veículos – menos de 3% da frota total – sendo movidos a energia limpa.

Panorama da frota e questões contratuais

Especialistas e os próprios passageiros apontam que o reajuste tarifário não aborda os problemas fundamentais do sistema de transporte metropolitano. A raiz de muitos desses desafios reside na questão dos contratos. A última licitação para a operação do transporte metropolitano na Grande São Paulo venceu em 2016. Desde então, o serviço tem funcionado por meio de contratos emergenciais, uma solução provisória que se estendeu por anos e que, segundo críticos, impede investimentos de longo prazo e a modernização necessária.

Em julho do ano passado, a Artesp, por meio de seu presidente André Isper Rodrigues Barnabé, prometeu uma nova licitação para o setor. O objetivo principal seria mudar o modelo de remuneração das empresas operadoras. Atualmente, a remuneração é baseada no número de passageiros transportados, o que, conforme Barnabé, incentiva as operadoras a rodar com menos ônibus e mais lotados. A proposta para o novo modelo de licitação visa remunerar as empresas pelo transporte em si, ou seja, pelo ônibus em circulação, independentemente do número de passageiros. Essa mudança, segundo a Artesp, só seria possível com uma nova licitação, que o governo afirma estar encaminhando. Enquanto essa promessa não se concretiza, os usuários continuam a lidar com uma realidade onde os aumentos de tarifas contrastam com as deficiências persistentes do serviço, gerando frustração e impactos na qualidade de vida dos cidadãos da Grande São Paulo.

Conclusão

O reajuste de 4,24% nas tarifas de ônibus metropolitanos da EMTU a partir de 6 de janeiro evidencia uma contínua busca por equilíbrio financeiro no sistema de transporte público da Grande São Paulo. Contudo, a medida é recebida com profunda insatisfação pela população, que vê o aumento como descolado da realidade de um serviço que apresenta sérias deficiências. As queixas sobre a frota envelhecida, a falta de conforto, a superlotação e os longos intervalos entre as viagens persistem, indicando problemas estruturais que não são sanados apenas com ajustes tarifários. A gestão por contratos emergenciais desde 2016 e a lenta modernização da frota reforçam a necessidade de soluções mais abrangentes. Enquanto a Artesp promete uma nova licitação e um modelo de remuneração que incentive a qualidade do serviço, os passageiros continuam a arcar com custos crescentes em troca de uma experiência de transporte que, para muitos, está aquém do esperado e do que se paga.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando o reajuste das tarifas da EMTU entra em vigor?

O reajuste das tarifas de ônibus metropolitanos da EMTU na Grande São Paulo entra em vigor a partir de 6 de janeiro.

Qual o percentual médio de aumento nas tarifas da EMTU?

O aumento médio autorizado pela Artesp é de 4,24% sobre as tarifas dos ônibus metropolitanos.

Quais são as principais reclamações dos passageiros sobre o serviço da EMTU?

As principais reclamações dos passageiros incluem a demora nos pontos, a superlotação dos veículos, a má qualidade geral dos ônibus e o alto valor da passagem em comparação com o serviço oferecido.

A frota de ônibus metropolitanos da EMTU será renovada?

Atualmente, dados indicam que grande parte da frota é antiga e carece de melhorias (como ar-condicionado e veículos movidos a energia limpa). A Artesp prometeu uma nova licitação para o setor, que visa, entre outros pontos, modernizar o modelo de remuneração e impulsionar a melhoria da frota.

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Fonte: https://g1.globo.com

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