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Sistema Cantareira se mantém acima de 20% Após ações de preservação

Paralelamente às medidas de gestão da demanda, o governo de São Paulo, em colaboração com a Sabesp, tem focado na adoção de medidas estruturais e estratégicas. A antecipação de obras de infraestrutura e o suporte direto à população são componentes essenciais para fortalecer a resiliência do sistema hídrico estadual.

Sistema Cantareira se mantém acima de 20% Após ações de preservação
Sistema Cantareira se mantém acima de 20% Após ações de preservação (Foto: Reprodução)

O Sistema Cantareira, principal pilar do abastecimento de água para a vasta região metropolitana de São Paulo, obteve a confirmação de que permanecerá operando na Faixa 4 de Restrição. Esta medida crucial permitirá à Sabesp manter sua capacidade de captação em até 23 metros cúbicos por segundo (m³/s). A decisão, comunicada na última quarta-feira (31) em conjunto pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), oferece uma perspectiva de estabilidade em um cenário hídrico particularmente desafiador. A manutenção desses patamares operacionais é creditada a uma série robusta de ações de preservação e gestão hídrica, implementadas pelo governo de São Paulo. Esses esforços foram fundamentais para proteger o volume do sistema Cantareira, mesmo em um período marcado por precipitações significativamente abaixo da média e um expressivo aumento de 60% no consumo de água, provocado pelas intensas ondas de calor que assolaram a região. A continuidade da operação neste nível destaca a importância das medidas proativas para garantir a segurança hídrica de milhões de cidadãos.Esforços estratégicos para a resiliência hídrica

Desde agosto, o governo de São Paulo intensificou seus esforços para assegurar a sustentabilidade dos mananciais que abastecem a Região Metropolitana. A estratégia adotada integra medidas de curto e longo prazo, visando não apenas a economia imediata, mas também o planejamento para cenários futuros de escassez hídrica. A articulação entre diferentes órgãos e a implementação de tecnologias avançadas têm sido pilares dessa abordagem.

Gestão da demanda e economia noturna

Uma das iniciativas mais impactantes foi a determinação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) para que o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) operasse com gestão da demanda no período noturno. Este sistema, que abrange sete mananciais cruciais para a região, adotou uma redução de pressão na rede durante 10 horas diárias, especificamente das 19h às 5h. Esta medida inteligente tem como objetivo primordial preservar os reservatórios, minimizando perdas e o consumo em horários de menor demanda. Desde a sua implantação, a redução da pressão noturna resultou em uma economia substancial de 57 bilhões de litros de água, um volume significativo que demonstra a eficácia da medida na conservação dos recursos hídricos. A gestão noturna contribui diretamente para manter os níveis dos sistemas, incluindo o Cantareira, em patamares mais seguros.

Metodologia avançada e planejamento futuro

Em 24 de outubro, o governo de São Paulo deu um passo adiante na gestão hídrica ao apresentar uma metodologia avançada. Essa nova abordagem inclui uma curva projetada para setembro de 2026, faixas de atuação claramente definidas e um plano de ações detalhadas para cada uma dessas faixas. O objetivo principal é garantir planejamento, previsibilidade e transparência na gestão dos recursos hídricos. Essa iniciativa permite uma visão de longo prazo e a capacidade de antecipar desafios, adaptando as estratégias conforme a evolução dos níveis dos reservatórios e as projeções climáticas. A metodologia busca oferecer maior segurança e estabilidade, reduzindo a vulnerabilidade da região a crises hídricas futuras e promovendo uma gestão mais eficiente e informada.

Investimentos e obras antecipadas

Paralelamente às medidas de gestão da demanda, o governo de São Paulo, em colaboração com a Sabesp, tem focado na adoção de medidas estruturais e estratégicas. A antecipação de obras de infraestrutura e o suporte direto à população são componentes essenciais para fortalecer a resiliência do sistema hídrico estadual.

Integração Itapanhaú-Alto Tietê: um marco de segurança

Um exemplo notável de obra estratégica é a entrega antecipada, em seis meses, do sistema de bombeamento de até 2.500 litros por segundo da bacia do rio Itapanhaú, localizada na Serra do Mar, até o Sistema Alto Tietê. Esta integração representa um investimento total de R$ 300 milhões e um avanço significativo na segurança hídrica estadual. A nova infraestrutura permitiu um aumento de 17% na capacidade de água do reservatório, beneficiando diretamente cerca de 22 milhões de pessoas. A relevância dessa obra é ainda maior quando se considera que foi implementada em um ano que registrou as piores médias de chuvas dos últimos dez anos, demonstrando uma resposta rápida e eficaz diante de um cenário de escassez hídrica sem precedentes. A conexão entre bacias distintas fortalece a interligação dos sistemas, conferindo maior flexibilidade e capacidade de manobra em momentos críticos.

Suporte à população e manutenção da rede

Além das grandes obras, o governo e a Sabesp implementaram uma série de ações de suporte direto à população e à manutenção da infraestrutura existente. Entre elas, destaca-se a distribuição de caixas d’água para as famílias em situação de vulnerabilidade, garantindo o armazenamento mínimo de água e reduzindo a intermitência no fornecimento para esses grupos. Para situações de emergência, houve um reforço substancial nas equipes de manutenção e a disponibilização de caminhões-pipa, assegurando uma resposta rápida a interrupções ou problemas na rede de abastecimento. Essas medidas são cruciais para mitigar os impactos da escassez e garantir que o acesso à água, um direito fundamental, seja mantido mesmo em condições adversas. A antecipação de obras estratégicas e a manutenção preventiva são pilares para a resiliência do sistema como um todo.

Cenário atual e governança compartilhada

A permanência do Sistema Cantareira em um nível seguro e sua operação controlada são fruto de um complexo sistema de monitoramento e gestão colaborativa entre as principais agências reguladoras do país.

O nível do Cantareira e a faixa de restrição

Nesta quarta-feira, o Sistema Cantareira registrou 20,18% de seu volume útil, indicando um leve decréscimo em comparação aos 20,99% observados em 30 de novembro. Contudo, por ter se mantido acima do limite de 20%, a operação do sistema em janeiro de 2026 seguirá na Faixa 4 – Restrição. É importante recordar que, em 29 de agosto, as agências já haviam implementado uma medida preventiva, reduzindo o volume de captação do sistema de 31 m³/s para 27 m³/s, uma ação que também visava a preservação dos níveis do Cantareira. Apesar da manutenção da Faixa 4, as agências reguladoras e o governo de São Paulo reiteram a importância crucial da economia de água por parte da população, além da continuidade das medidas operacionais de gestão da demanda que estão em vigência. A participação de cada cidadão é fundamental para a sustentabilidade do sistema.

ANA e SP Águas: monitoramento e regulamentação

A gestão do Sistema Cantareira é um processo intrincado e transparente, conduzido de forma conjunta pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas). Ambas as entidades acompanham diariamente os dados de níveis, vazões e armazenamento, informações essenciais que subsidiam todas as decisões operativas. A permanência do Cantareira em uma Faixa de Restrição específica segue critérios rigorosos definidos pela Resolução Conjunta nº 925/2017. Esta norma foi elaborada após a severa crise hídrica que atingiu a região em 2014/2015, estabelecendo limites claros para a retirada de água de acordo com o volume acumulado no sistema. Isso confere previsibilidade às condições operativas e, consequentemente, uma maior segurança hídrica não apenas para a Região Metropolitana de São Paulo, mas também para as Bacias PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que também dependem do Cantareira. A governança compartilhada e baseada em dados é vital para a resiliência do sistema.

Perspectivas e apelo à colaboração

A manutenção do Sistema Cantareira acima do patamar crítico de 20% reflete o impacto positivo de uma série de intervenções governamentais e investimentos estratégicos. As ações coordenadas de gestão da demanda, como a redução da pressão noturna, a antecipação de obras cruciais como a integração Itapanhaú-Alto Tietê, e o desenvolvimento de metodologias avançadas de planejamento hídrico, demonstram um compromisso robusto com a segurança do abastecimento. No entanto, o cenário hídrico continua a exigir vigilância e responsabilidade. O recente aumento no consumo devido ao calor intenso e as médias de chuva abaixo do esperado sublinham a fragilidade do sistema frente às variações climáticas. A despeito dos avanços, a conscientização e a colaboração contínua de cada cidadão na economia de água permanecem indispensáveis para assegurar a sustentabilidade dos recursos hídricos para as futuras gerações.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual o status atual do Sistema Cantareira e o que significa a Faixa 4 de Restrição?

O Sistema Cantareira está atualmente com 20,18% de seu volume útil e permanecerá operando na Faixa 4 de Restrição. Isso significa que a captação de água pela Sabesp será limitada a 23 metros cúbicos por segundo (m³/s), seguindo critérios estabelecidos para preservar o volume do reservatório quando ele está acima de 20%, mas ainda exige monitoramento e economia.

2. Quais foram as principais ações do governo de São Paulo para preservar os recursos hídricos?

O governo implementou a gestão da demanda noturna no Sistema Integrado Metropolitano (SIM), economizando 57 bilhões de litros de água. Também apresentou uma metodologia avançada de gestão hídrica com planejamento até 2026 e antecipou obras estratégicas, como o bombeamento do rio Itapanhaú para o Sistema Alto Tietê, que aumentou em 17% a oferta de água, beneficiando 22 milhões de pessoas.

3. Qual o papel da ANA e SP Águas na gestão do Cantareira?

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) são responsáveis pela gestão compartilhada do Sistema Cantareira. Elas monitoram diariamente os dados de níveis, vazões e armazenamento para subsidiar decisões operativas e definir as faixas de restrição com base na Resolução Conjunta nº 925/2017, garantindo previsibilidade e segurança hídrica.

4. Como a população pode continuar contribuindo para a preservação do Cantareira?

Mesmo com as ações governamentais e a estabilidade atual, a economia de água pela população é fundamental. Medidas simples como tomar banhos mais curtos, não lavar calçadas com mangueira, verificar vazamentos e reutilizar água sempre que possível contribuem significativamente para a sustentabilidade do sistema e a segurança hídrica da região.

Ações individuais somam-se aos esforços coletivos na proteção dos nossos recursos hídricos. Continue economizando água em seu dia a dia e faça a diferença!

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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