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Copom decide futuro da Taxa Selic Em reunião final do ano

divulgada no início da noite de hoje, definindo os rumos para o encerramento do ciclo econômico anual e o início de um novo período de projeções. A expectativa do mercado e os motivos da estabilidade

Copom decide futuro da Taxa Selic Em reunião final do ano
Copom decide futuro da Taxa Selic Em reunião final do ano (Foto: Reprodução)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza nesta quarta-feira (10) sua última reunião do ano, em um cenário de expectativas elevadas e atenção redobrada do mercado. Analistas apontam para a manutenção da Taxa Selic no patamar atual de 15% ao ano, o mais elevado em quase duas décadas. Essa decisão aguardada com cautela reflete o delicado equilíbrio entre a desaceleração da inflação geral e a persistência de pressões em setores-chave, como energia e alimentos. O colegiado tem o desafio de consolidar a convergência inflacionária à meta estabelecida, ao mesmo tempo em que considera os impactos da política monetária restritiva sobre a atividade econômica nacional. A comunicação oficial sobre a Taxa Selic será divulgada no início da noite de hoje, definindo os rumos para o encerramento do ciclo econômico anual e o início de um novo período de projeções.

A expectativa do mercado e os motivos da estabilidade

A última reunião do Copom em 2024 é marcada por um forte consenso entre os analistas de mercado: a manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano. Essa estabilidade, esperada pelo setor financeiro, reflete a estratégia do Banco Central de prolongar o período de juros elevados para garantir a convergência da inflação à meta. Desde julho, setembro e novembro, o Comitê optou por não alterar a taxa, após um ciclo de sete elevações consecutivas que teve início em setembro do ano passado.

Selic no patamar mais alto em quase duas décadas

A atual Taxa Selic em 15% ao ano representa o patamar mais alto desde julho de 2006, quando atingiu 15,25%. Esta realidade impacta diretamente a atividade econômica, tornando o crédito mais caro e desestimulando o consumo e os investimentos. Economistas têm apontado os efeitos negativos dessa taxa sobre o crescimento, com o vice-presidente da República já manifestando expectativa por uma queda dos juros na próxima reunião do Copom. A incerteza econômica global e as pressões internas de preços exigem uma política monetária cautelosa e prolongada, conforme indicado em atas de reuniões anteriores do Copom, que enfatizam a necessidade de manter a Selic nesse nível por um tempo estendido para atingir a estabilidade inflacionária desejada.

O cenário inflacionário e a política monetária

O comportamento da inflação continua sendo uma variável crucial nas decisões do Copom. Apesar de uma desaceleração geral, com a prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), registrando apenas 0,2% em outubro e acumulando 4,5% em 12 meses – voltando para o teto da meta –, alguns itens persistem em pressionar os índices. Preços como energia e certos alimentos seguem sendo focos de atenção, indicando que a batalha contra a inflação ainda não está totalmente vencida.

Desaceleração da inflação versus pressões pontuais

As estimativas do mercado, conforme o mais recente Boletim Focus, apontam para uma inflação de 4,4% neste ano, ligeiramente abaixo dos 4,55% projetados há quatro semanas. Embora isso represente um valor pouco abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) – que é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, entre 1,5% e 4,5% –, a cautela persiste. A Taxa Selic, como principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, atua diretamente no custo do crédito e no estímulo à poupança. Ao elevá-la, o BC busca conter a demanda aquecida, o que, por sua vez, reflete nos preços, mas também pode dificultar a expansão econômica. A divulgação do IPCA cheio de novembro, também nesta quarta-feira, trará dados mais recentes para subsidiar a análise do Comitê.

A dinâmica das reuniões do Copom e perspectivas futuras

O Comitê de Política Monetária se reúne a cada 45 dias para deliberar sobre a Taxa Selic. O processo decisório é meticuloso e dividido em dois dias. No primeiro, são realizadas apresentações técnicas detalhadas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial, além do comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, que compõem a diretoria do Banco Central, analisam as possibilidades e definem o valor da taxa, considerando todos os indicadores e projeções apresentados.

Entendendo o processo de decisão e o horizonte econômico

A Taxa Selic não é apenas um número, mas um mecanismo fundamental que guia as negociações de títulos públicos e serve de referência para todas as demais taxas de juros na economia. Quando o Copom eleva a Selic, o crédito encarece, desestimulando o consumo e a produção, o que pode frear a inflação, mas também impactar o crescimento. Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, estimulando a atividade econômica, mas com o risco de descontrolar a inflação.

Desde janeiro deste ano, o Brasil adotou o sistema de meta contínua para a inflação. Neste modelo, a meta de 3%, com margem de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo (variando entre 1,5% e 4,5%), é apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Essa dinâmica de verificação se desloca ao longo do tempo, não se restringindo mais ao índice fechado de dezembro de cada ano, proporcionando uma avaliação mais flexível e constante. A estimativa para o IPCA no fim do ano, que foi de 4,8% em setembro, deve ser revista no próximo Relatório de Política Monetária, aguardado para o fim de dezembro. A grande divergência entre os analistas de mercado agora reside em quando, no próximo ano, os juros começarão a cair, sinalizando uma potencial flexibilização da política monetária.

Perguntas frequentes sobre a Taxa Selic

O que é a Taxa Selic e como ela funciona?

A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, usada como referência para as demais taxas. Ela remunera os títulos públicos federais negociados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, influenciando o custo do crédito e o incentivo à poupança.

Como a Taxa Selic afeta a economia e o meu dia a dia?

Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, desestimulando empréstimos, financiamentos e compras a prazo. Isso tende a frear a inflação, mas também pode desacelerar a economia. Quando a Selic cai, o crédito fica mais barato, incentivando o consumo e o investimento, o que pode aquecer a economia, mas exige atenção para não gerar inflação.

Qual a diferença entre a meta de inflação anual e a meta contínua?

A meta de inflação anual se referia a um objetivo fixo para o IPCA fechado em dezembro de cada ano. Com a meta contínua, em vigor desde janeiro, a meta de 3% é apurada mensalmente, considerando a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Isso permite um acompanhamento e ajuste mais dinâmicos da política monetária.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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