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Inaugurado o Teatro Municipal Antônio Pio: emoção, memória e futuro no mesmo palco

Em uma área de 17 mil metros quadrados na região central da cidade, Teatro Municipal deve promover a inclusão cultural e ser palco para múltiplas atividades

Inaugurado o Teatro Municipal Antônio Pio: emoção, memória e futuro no mesmo palco
Inaugurado o Teatro Municipal Antônio Pio: emoção, memória e futuro no mesmo palco (Foto: Reprodução)

A Prefeitura de Cotia entregou, nesta quarta-feira (26), o Teatro Municipal Antônio Pio na região central da cidade, rua Eng. Leon Psanquevich, ao lado do terminal metropolitano de ônibus.

Centenas de pessoas, entre populares e autoridades, marcaram presença ao evento para conhecer o novo espaço, concebido para receber não apenas apresentações teatrais, mas também uma ampla e democrática programação cultural que será divulgada em breve.

O novo teatro ocupa uma área de 17 mil metros quadrados. O espaço moderno e acessível conta com capacidade para 400 pessoas, fachada com espelhos d’água, estacionamento, bilheteria, camarins, sala de produção e sala de direção. O foyer tem nove metros de pé direito e o palco chega a 22 metros, ampliando as possibilidades de montagem de espetáculos.

A escolha do nome Antonio Pio, foi feita por indicação popular, reforçando a ligação afetiva da população com um dos maiores nomes da história cultural do município, responsável pela criação e regência de uma das maiores fanfarras do Brasil, a Regente Feijó.

Diversos antigos integrantes da Fanfarra participaram do evento para reverenciar a memória de Pio. Márcia Pio dos Santos, 73 anos, irmã mais velha do regente, falou da emoção da família por esse reconhecimento: “maior presente de nossa vida, Ele [o Pio] foi desde menino sempre muito dedicado ao esporte e à cultura”.

“Feliz daquele que teve a oportunidade de participar da Fanfarra, que trouxe muitas coisas boas para nossa vida. Éramos crianças e jovens e através da Fanfarra adquirimos responsabilidade, desafios, disciplina e formamos grandes amizades que duram até hoje e isso tudo devemos ao nosso regente Pio”, discursou Marcinha Heleni representando os integrantes da Fanfarra.

Inclusão cultural

O Secretário de Cultura Pedro Peixoto falou sobre a responsabilidade de não deixar que esse espaço não se torne um “elefante branco” como ocorre em muitas cidades. De fazer com que o espaço seja vivo e se torne um galpão de cultura. “A gente tem muita coisa pra fazer aqui. Não queremos trazer só teatro aqui, mas toda forma de cultura, música dança, exposições, shows e grande eventos. Mas também será um local de oportunidades para crianças e jovens que queiram ingressar no mundo das artes”.

“Cultura Liberta”, disse o prefeito Welington Formiga ao iniciar seu discurso. Este é um instrumento da cidade. O povo escolheu o nome do teatro, do auditório e das salas”, lembrou.

O prefeito explicou que para a gestão e manutenção do espaço fará uma parceria com a iniciativa privada. Segundo ele alguns eventos serão da Prefeitura, “vamos abrir para toda a sociedade, mas também terá ações da iniciativa privada, com bilheteria paga, afinal teremos que fazer a manutenção, segurança do espaço”. Tudo isso vamos lançar em breve pois temos que respeitar o processo de licitação e os trâmites da lei”.

A Banda Sinfônica da Polícia Militar presenteou o público com a primeira apresentação. Sob regência do Major Músico PM Jássem Feliciano, o repertório passou do cancioneiro popular ao clássico, e MPB. E agradou.

    • Quem foi Antônio Pio dos Santos Neto

Nascido em 29 de fevereiro de 1955, Antônio Pio dos Santos Neto, o Pio, marcou Cotia como poucos. Regente, educador, produtor cultural e figura central na formação de gerações, ele dedicou a vida a transformar jovens por meio da música, da disciplina e da criatividade.

Sua trajetória começou cedo: aos 17 anos, ainda estudante da Escola Batista Cepelos, assumiu a instrução da fanfarra “Batistão”, convite do professor Victor Previtali. Quatro anos depois, em 1978, fundou a Fanfarra Municipal Regente Feijó de Cotia, que rapidamente se tornou referência nacional sob sua liderança firme e inspiradora. O grupo acumulou troféus, viajou o país e chegou até Brasília, onde se apresentou a convite do presidente João Figueiredo, em 1980.

Antônio Pio / Acervo da família

Foi Pio foi o primeiro regente a introduzir música popular brasileira nas fanfarras. E foi ele também que incluiu a corneta com pistão que posteriormente foi adotada em todo o mundo.

Professor de artes na rede pública, Pio formou músicos, artistas e cidadãos. Como diretor de Cultura nas gestões de Carmelino Pires de Oliveira e Ivo Mario Isaac Pires, foi responsável pela criação de eventos que ajudaram a moldar a identidade cultural cotiana, entre eles o Festival da Canção Popular (FECANP), o Festival Estudantil de Cotia (FESC), a Festa do Peão, a Festa Mineira e a icônica Rua da Música.

Seu trabalho também deixou marcas no esporte, com campeonatos e eventos que movimentavam a juventude da cidade.

Pio morreu precocemente em 1992, então com 37 anos de idade, mas sua influência permanece viva na memória coletiva de Cotia: ele foi um símbolo de dedicação, liderança e amor pela cultura local.

A inauguração do Teatro Municipal que leva seu nome é, acima de tudo, uma celebração desse legado. 

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