Dia da consciência negra levanta debate sobre violência policial
A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro acompanha a apuração do caso, visando garantir o cumprimento da lei pelas forças de segurança.
O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado hoje, ganha ainda mais relevância em um país que luta contra o racismo estrutural e a violência. Em seu segundo ano como feriado nacional, a data convida a uma reflexão sobre o legado da escravidão e suas manifestações contemporâneas, como a letalidade policial que afeta desproporcionalmente a população negra.
Especialistas apontam para a necessidade de análise crítica da violência policial, especialmente após a Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A ação, que resultou em um alto número de mortos, reacende o debate sobre o papel das forças de segurança e o impacto de suas ações em comunidades vulneráveis.
A operação, que deixou um rastro de mortes, levanta questionamentos sobre os critérios de atuação das polícias civil e militar. A ausência de denúncias formais contra as vítimas fatais intensifica o debate sobre a seletividade e os métodos empregados nas operações. A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro acompanha a apuração do caso, visando garantir o cumprimento da lei pelas forças de segurança.
Estudos revelam que a população negra é maioria nos complexos do Alemão, áreas frequentemente alvo de operações policiais. Essa realidade expõe a relação entre raça, classe social e violência, evidenciando a persistência de desigualdades históricas.
Para especialistas, operações como a Contenção refletem um legado colonial de violência e exploração. Ações similares seriam impensáveis em áreas mais abastadas, como Copacabana, Ipanema e Leblon, demonstrando que a “guerra às drogas” se concentra em territórios habitados por negros e pobres.
Dados revelam que a probabilidade de um negro ser assassinado no Brasil é quase três vezes maior do que a de um branco. A escravidão, que perdurou por mais de três séculos, deixou marcas profundas na sociedade brasileira, com a ausência de políticas de reparação e inclusão para a população negra.
A promotora de Justiça Lívia Sant’Anna defende que o Dia da Consciência Negra seja um marco de memória, luta e denúncia. Refletir sobre operações policiais como a Contenção é essencial para reconhecer que a população negra continua a ser vítima de uma política de segurança que normaliza a letalidade.
Operações policiais geram pânico, interrompem serviços básicos e aumentam a evasão escolar. A professora Juliana Kaizer alerta para o impacto socioeconômico de longo prazo, com o aumento do número de jovens fora da escola e a perpetuação da desigualdade.
O Geni, ligado à Universidade Federal Fluminense, aponta que as forças de segurança do Rio de Janeiro priorizam operações em áreas dominadas por facções em detrimento de áreas controladas pela milícia. Os dados revelam uma desproporção significativa no número de confrontos e tiroteios, indicando uma seletividade na atuação policial.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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